terça-feira, 17 de dezembro de 2013



























Acumular o Contemporâneo a Partir da Incerteza

Para começar uma abordagem em torno da poesia contemporânea feita no Brasil, talvez estes quatro autores sejam indispensáveis: Aramando Freitas Filho, Augusto de Campos, Adélia Prado e Ana Cristina Cesar. Com a minha incerteza estou querendo dizer que se pode começar por outros autores e num outro tempo, ampliando-se ou reduzindo-se as décadas. Mas também quero evocar a indecisão entre tradição e contemporaneidade, própria da passagem do século. O contemporâneo acumula a sua própria variedade, às vezes célebre (resultado imediato do sucesso alcançado pela obra), mas ainda quase nada canônica. Pode-se começar indiscriminadamente. Sobretudo as análises entusiásticas. Mas para efeito do curso, é conveniente procurar municiar-se de outras informações além do nome do poeta e do título do livro. Isto não acontece da noite para o dia. No curso vamos ter quatro encontros, cada um de três horas. Dar conta destes quatro autores, num tempo tão exíguo, é impossível. O que se pode tentar basicamente, como um método extremamente simples de estudo, é desenvolver linhas de leitura a partir de certos poemas dos livros dos autores aqui mencionados e, a partir de certo ponto, encaminhar a discussão com vistas aos próximos módulos do curso. No universo contemporâneo da imagem, e por empréstimo, da escrita, nada do que se vê é apenas aquilo que se vê. Tudo é, ao mesmo tempo, uma outra coisa. O que, no entanto, não constitui nenhum segredo quanto aos primeiros passos que se deve dar no ambiente da poesia recente feita no Brasil: eles acontecem em um terreno comum, onde a maioria dos autores também circula, e os livros estão disponíveis e acessíveis, tendo a internet como importante aliada. E há outros meios de se instrumentalizar: cinema, exposições de arte, teatro, fotografia, revistas literárias, espaços virtuais etc. No curso se trocará informações diversas, se travará contatos importantes, o que sempre colabora para se formar redes de conhecimentos que podem dar auxílio no futuro. Este mecanismo faz parte da magia fantástica que é a escrita.

Ney Ferraz Paiva